Transporte

Mototaxista, uma profissão próxima da extinção?

Baixa procura pelo serviço tem feito trabalhadores se adaptarem e até buscar outras formas de renda

Jô Folha -

Quem circula pelo Centro de Pelotas tem notado uma diminuição no número de mototaxistas. Diversos fatores como a chegada do transporte por aplicativos, a pandemia de Covid-19, entre outros, acabaram fazendo com que essa profissão tenha cada vez menos trabalhadores.

Segundo os dados da Secretaria de Transporte e Trânsito, no último ano houve uma redução de 44% no número de trabalhadores da área. Em 2018 e 2019, eram cadastrados na Prefeitura 435 profissionais. Em 2020, por conta da pandemia, não houve um levantamento oficial por parte do poder público para contabilizar o número exato de mototaxistas. Mas de todos os cadastrados, a estimativa é de que 195 acabaram desistindo de atuar ou estavam parados no ano passado.

Gilberto Oliveira, 46, é mototaxista há 17 anos e precisou se adaptar à nova realidade. Para conseguir manter as contas em dia, se tornou entregador. Atualmente, ele é o único trabalhador de um ponto que já teve 18 mototaxistas, que acabaram mudando para outras áreas. Gilberto comenta que não sabe por quanto tempo vai conseguir se manter. “Faz meses que eu não carrego ninguém. Se não fossem os produtos para entregar, já tinha que ter trocado de profissão” desabafou.

Já para Rogério Mendes, 50 anos, e mototaxista de um ponto no bairro Fragata, mesmo com a diminuição de 50% no número de clientes por conta da pandemia e dos carros por aplicativo, o movimento é satisfatório. Ele atrela essa boa fase com a propaganda na internet. “Pra mim tá bom, temos seis motos trabalhando”.

Carros por aplicativo

Para o secretário de Transporte e Trânsito do município, Flávio Al Alam, a diminuição no número de mototaxistas e de usuários buscando pelo serviço tem relação com os valores pagos para os carros de aplicativo, já que em viagens curtas, a cobrança acaba sendo menor. Além disso, como o carro tem maior capacidade, amigos e familiares muitas vezes se juntam e dividem o valor da corrida.

Alci dos Santos Pereira, 50 anos, é mototaxista e diz que desde a chegada dos carros por aplicativo no município, muitos colegas acabaram deixando a profissão por não conseguirem competir com o baixo valor cobrado. Ele ainda destaca que as exigências feitas para que o mototaxista esteja legalizado junto à prefeitura não são solicitadas para os motoristas de aplicativo. Alci ainda aponta outro problema: a cobrança irregular feita por alguns trabalhadores. “Infelizmente os próprios mototaxistas estragaram a categoria. Uma corrida que daria pra fazer por R$ 10,00, querem fazer por R$ 12,00. O outro vai lá e quer fazer por R$ 8,00”, comenta.

Possíveis soluções

O presidente interino do Sindicato dos Mototaxistas de Pelotas e Região Sul (SindiMotoPelSul), diz que a categoria não vê perspectiva positiva sem que seja feita a regulamentação dos carros por aplicativo. Segundo ele, outra possibilidade para atrair novamente os usuários, seria a criação de uma tabela de preços fixos no município, impedindo que cada trabalhador cobre o valor que quiser. A sugestão é de um valor fixo a ser cobrado no começo da partida, e a partir daí, um valor “x” a cada quilômetro rodado. Além disso, poderia haver mudança no valor diurno e noturno.

Segundo Flávio Al Alam, o número de trabalhadores na área tem diminuído ao longo do tempo, mas acredita que a profissão não está perto de ser extinta. “Em todas as profissões existem adaptações ao longo do tempo em função das condições que o mercado exige”. O secretário ainda comenta que os mototaxistas já mudaram e que poderão mudar mais.

Regulamentação dos carros por aplicativo

Atualmente, Pelotas já possui um decreto que regulamenta os carros por aplicativo, porém, a cobrança da norma que deveria ter iniciado ontem, foi suspensa por mais 60 dias após um pedido de revisão e uma contraproposta por parte dos motoristas da categoria.

Segundo o secretário de Governo, Fabio Machado, está sendo realizado um estudo comparativo da legislação de outras cidades com o mesmo porte de Pelotas e também de grande porte. O levantamento já está em fase final e deve ser apresentado à prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) ainda nesta semana. Depois disso, ela irá se reunir com os trabalhadores para buscar um acordo.

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